Tchau, até nunca mais!

segunda-feira, janeiro 27, 2014


Você sabia, sabia sim. Sabia que mais cedo ou mais tarde eu bateria na porta da sua casa dizendo que não aguentava mais de saudade. Sabia que o amor que eu sentia por você era maior do que qualquer outra coisa. Eu não tinha um pingo de amor próprio e isso era seu maior trunfo. Você sabia que eu assumiria a culpa por todos os erros -  até dos seus – e por todas às vezes em que terminei com você por impulso. Devia saber até, do vestido que escolheria para esse dia. Aquele preto, do nosso primeiro beijo. Você deve ter passado noites imaginando o mês que eu iria escolher para tomar essa atitude. Se me sentiria carente no inverno ou se iria desejar seu calor no meu verão. Deve ter ensaiado diálogos imaginários em frente ao espelho e relembrado diversas vezes os motivos que nos separaram – afinal, teria que dizer todos eles mais uma vez na minha cara para me fazer sentir culpada, de novo. E eu, como sempre, pediria desculpa por tudo, pois só assim conseguiria ter você ao meu lado mais uma vez. 

Esperar cansa, né? Mas tudo bem, sei que você é paciente. Imagino que você deva ter me visto com outros caras e pensado que era mais um daqueles meus joguinhos de vingança, ora, eu jamais te trocaria, você é insubstituível, né? Deve ter visto meu sorriso e não soube distinguir se era verdadeiro ou se escondia as lágrimas que só tenho coragem de chorar em meu quarto. Deve ter se relacionado com outras garotas e sentido um pouco a minha falta, porque convenhamos você não é um cara fácil e comigo não tinha tempo ruim. Deve ter até desejado que elas interrompessem o seu beijo com um sorriso – exatamente como eu costumava fazer. Ou sendo mais realista, você deve ter simplesmente encarado isso como algo rotineiro, decidindo assim esperar o dia em que eu voltaria rastejando e pedindo pelo seu afeto – mais uma vez.

O que você não deve ter entendido é o porquê da minha demora, já que apesar das minhas tentativas falhas, nunca consegui ficar mais do que três meses afastada de você. Acho que no fundo você nunca imaginou o desfecho que esta história teria. Quer mesmo saber?

Eu amava tudo em você. O seu cabelo bagunçado, sua roupa amarrotada e o seu jeito arrogante de falar. Eu amava os seus dentes brancos, o seu sorriso falso e as vezes em que você fingia prestar atenção no que eu falava. Eu amava a sua mania de me contradizer e de achar que estava sempre certo. Eu amava aquela sensação de insegurança quando você sumia e amava o bater das asas das borboletas quando você voltava. Não vê? 

Para mim você não tinha defeito algum, tudo parecia perfeito demais. E o problema é que não posso ao menos culpá-lo por isso. O culpado é o tão temido amor. Ele nos cega e faz com que tudo pareça bem melhor do que é, ou no meu caso, com que pareça alguma coisa.

Essa poderia ser mais uma história clichê onde o garoto só dá valor para a garota quando a perde. Uma pena eu gostar de ser tão do contra, porque minha história termina com uma lição bem diferente. 

Eu me valorizei quando te perdi, e quanto a isso, sou muito grata.


 Que você seja muito feliz, claro, sem mim.

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