Texto: Isabela Freitas

quinta-feira, dezembro 26, 2013


Não sei se você vai ler. (Provavelmente não, é claro). Mas aqui estou eu, depois de algum tempo saboreando o gosto nada agradável de querer ter algo e não poder, simplesmente porque já não existe mais. Escrevo-te com essa minha caligrafia nada bonita, algo que consiga representar em palavras toda essa tonelada de saudade que eu venho carregando nas costas desde que você partiu.
Olho pela janela e vejo uma paisagem tão bela, que me faz querer voltar no tempo. Àquele tempo em que dividíamos essa visão, abraçados, caladinhos, apenas sentindo o movimento corporal causado pela nossa respiração. A minha sempre mais ofegante porque sempre que eu te tinha nos meus braços, daquela maneira, ficava meio nervoso. Você ria e me chamava de “moleque estranho”. Afe! Que saudade de ser o teu moleque estranho.
Outra coisa legal era poder sentir o seu coração pulsar. Sempre imaginei que ele adorava acelerar quando estava perto do meu, só para chamar a minha atenção. E o sacana conseguia.
Mas veja bem, não ter mais esses tipos de situações e sensações nos meus dias, – que agora são totalmente cinzas – não tem sido nada fácil. Na verdade, tenho encarado tudo isso como o cálculo de matemática mais complicado que já houve, ou a perspectiva isométrica mais incompreensível que se possa esboçar.
 Tá doendo. Tá ardendo. Tá queimando. Tá molhando e amassando. Não tem um só dia que não doa algo.Quando não é o coração com saudade, é a cabeça com as lembranças. Quando não é o corpo sentindo falta do teu calor, é a boca com sede do teu beijo. Tá hardcore, meu amor. Meu médico me receitou duas cartelas de ‘segue a sua vida’. Tenho tomado três comprimidos durante sete dias e hoje já faz noventa e um. Três meses e nada de efeito. A moça na farmácia disse que esse é tarja preta, mas acho que não comigo.
Droga! Droga! Droga! É tanta foto. Tanta música. Tanto de você espalhado por essa casa que fica cada vez mais complicado me desfazer dessa idéia de que você realmente se foi. Às vezes tenho a sensação de que você ainda está por aqui. Se estiver, aparece, por favor. Poxa vida, eu sinto o seu cheiro impregnado no nosso quarto quase todos os dias quando acordo. Digo, nas poucas noites em que consigo pregar os olhos.
Bosta. Encharquei todo esse papel, de dor e de palavras, de novo. E a tinta já está se borrando linha por linha. Mas que se dane essa merda.  Eu nem tenho como te entregar, mesmo. Na verdade, não tem como eu te entregar mais nada, já que desde que se foi, levou consigo tudo o que era meu. Inclusive eu. Mas se você ao menos pudesse me ler, e me responder de alguma forma… Pena que até nisso a vida fez questão de ser perfeita. Tirou-te de mim da forma mais dolorida possível e não me deixou nem sequer te dar um tchauzinho. Nem um beijinho. Nem um adeus. Ou relembrar que você estava linda. Estava com a boca cheia né? E foi só um “Bom dia meu amor, a gente se ver mais tarde, to indo”. E se foi para sempre


You Might Also Like

0 comentários

INSTAGRAM